A saúde pública foi um dos principais temas abordados pelo prefeito de Cidreira, Beto do Litoral, durante entrevista concedida ao jornalista William Serra, no programa Hora Política. Ao avaliar a situação atual do setor, o chefe do Executivo destacou avanços obtidos desde o início da gestão, mas reconheceu que o aumento da demanda continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelo município.

Segundo Beto, a administração encontrou uma quantidade significativa de exames e procedimentos acumulados quando assumiu a Prefeitura. Desde então, o município passou a atuar na redução da demanda reprimida e na reorganização dos atendimentos.

Uma das medidas adotadas ocorreu ainda no início de 2025, quando a Secretaria Municipal de Saúde realizou uma força-tarefa para exames laboratoriais. Na ocasião, 777 pacientes foram atendidos, incluindo pessoas que aguardavam desde agosto do ano anterior.

“Nós pegamos a saúde com muitos exames atrasados e praticamente conseguimos zerar essa demanda. Às vezes acontece de voltar a ter algum atraso, porque saúde é uma pauta e um desafio todos os dias”, afirmou o prefeito.

Mudança no sistema de agendamento

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a mudança na forma de acesso às consultas nas Unidades Básicas de Saúde.

Beto relembrou que moradores chegavam durante a madrugada às unidades para disputar um número limitado de fichas. Segundo ele, havia situações em que pacientes permaneciam desde as 4h ou 5h da manhã nas filas e, mesmo assim, não conseguiam atendimento.

O modelo passou por alterações. Desde janeiro de 2025, a Secretaria de Saúde estabeleceu o chamado agendamento em livre demanda, eliminando a necessidade de comparecimento apenas em datas específicas para retirada de fichas.

“Hoje é agendamento aberto. A pessoa agenda e sabe o dia em que será atendida. A gente consegue monitorar para tentar não deixar as consultas demorarem demais”, explicou.

A reorganização também incluiu turnos estendidos nas unidades de saúde, com atendimento até as 20h em determinados dias, além da ampliação de serviços de vacinação e mudanças no encaminhamento de exames.

Município reforça diferença entre atenção básica e atendimento hospitalar

Durante a entrevista, Beto também chamou atenção para uma dificuldade recorrente na relação entre a população e a rede municipal: a responsabilidade por procedimentos que dependem de outros níveis do Sistema Único de Saúde.

O prefeito ressaltou que Cidreira possui unidades de Atenção Primária e um Pronto Atendimento 24 horas, mas não dispõe de um hospital municipal. Procedimentos de maior complexidade, internações, determinadas consultas especializadas e algumas transferências dependem da rede regional, da regulação do SUS e, em diferentes situações, de serviços vinculados ao Estado.

“Nós somos um posto de saúde, não somos um hospital. Às vezes uma remoção ou um exame depende do Estado, e as pessoas acabam entendendo que é o município que não quer fazer. É importante explicar essa diferença”, afirmou.

CAPS e fisioterapia ampliam serviços no município

Entre os avanços citados pelo prefeito está a estruturação dos serviços de saúde mental. Atualmente, Cidreira possui um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) registrado na rede de saúde, além de profissionais destinados ao atendimento da área.

O CAPS integra a Rede de Atenção Psicossocial do SUS e tem como objetivo oferecer acompanhamento especializado a pessoas que necessitam de cuidados relacionados à saúde mental.

Beto também destacou a implantação de atendimento de fisioterapia no município. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde registra atualmente um consultório de fisioterapia vinculado à rede municipal de Cidreira.

“Começou pequeno, com uma sala de fisioterapia, mas é mais um avanço na área da saúde”, avaliou o prefeito.

Investimentos no Pronto Atendimento 24 Horas

A estrutura do Pronto Atendimento 24 Horas Eva Dias de Mello também foi abordada na entrevista.

Beto afirmou que, quando a atual gestão assumiu, a unidade apresentava problemas estruturais, especialmente em períodos de chuva, situação que, segundo ele, chegou a comprometer espaços utilizados no atendimento de urgência.

O prefeito declarou que aproximadamente R$ 700 mil foram destinados às melhorias realizadas no local, destacando que os problemas estruturais mais graves foram solucionados.

“Quando assumimos, chovia e tinha situação em que era preciso fechar a emergência e torcer para ninguém precisar. Fizemos a reforma e hoje esse problema foi resolvido”, disse.

A reforma do Pronto Atendimento integra um conjunto de intervenções realizadas na estrutura da saúde municipal ao longo da gestão.

Ambulâncias e ampliação da Atenção Básica

O prefeito também destacou a renovação da frota utilizada pela Secretaria de Saúde. Segundo ele, uma nova ambulância foi entregue nos últimos meses e outro veículo deverá ser incorporado ao serviço.

Além da frota, Cidreira trabalha na expansão da estrutura física da Atenção Básica.

Uma nova Unidade Básica de Saúde está sendo construída no bairro Chico Mendes, com investimento divulgado de aproximadamente R$ 2 milhões. A unidade deverá ampliar a capacidade de atendimento e aproximar os serviços de saúde dos moradores daquela região.

Atualmente, os registros oficiais apontam quatro Unidades de Saúde da Família no município: Brisas do Mar, Caminhos do Farol, Costa do Sol e Dunas Claras, além do Pronto Atendimento 24 horas e dos serviços especializados existentes na rede.

Crescimento da demanda pressiona estrutura

Para Beto, entretanto, um dos principais obstáculos é o crescimento contínuo do número de pessoas que utilizam o sistema municipal.

Durante a entrevista, o prefeito afirmou que a rede atende atualmente uma demanda equivalente a mais de 20 mil pessoas, enquanto a estrutura básica permanece concentrada em quatro unidades. O dado deve ser compreendido como uma referência à demanda percebida pela administração, já que a estimativa oficial mais recente do IBGE aponta 17.583 moradores permanentes em Cidreira em 2025.

Por se tratar de um município do Litoral Norte, Cidreira também convive com variações importantes da população ao longo do ano, especialmente durante o verão e períodos de maior movimento turístico, o que amplia a pressão sobre serviços públicos como a saúde.

“A nossa demanda cresceu muito e o nosso recurso continua praticamente o mesmo. É isso que vem pressionando o sistema e fazendo com que a gente busque ampliar a estrutura”, afirmou.

Para enfrentar esse cenário, o prefeito disse que a administração pretende continuar buscando recursos para novas unidades e ampliar a cobertura da Atenção Básica.

Apesar dos avanços destacados, Beto reconheceu que ainda existem problemas a serem corrigidos.

“Pode melhorar? Pode. Saúde sempre é uma busca. A gente vem avançando dia após dia, tentando corrigir erros e melhorar a qualidade do atendimento. É uma das principais prioridades do nosso governo”, concluiu.

A entrevista integra a edição especial do Hora Política, apresentada pelo jornalista William Serra, com debates sobre infraestrutura, turismo, saúde e os principais desafios enfrentados pelo município de Cidreira.