A proximidade do primeiro turno das eleições gerais, marcado para este domingo, 4 de outubro, elevou o nível de atenção de representações estrangeiras no Brasil. Estados Unidos e Austrália adotaram medidas temporárias envolvendo suas instalações diplomáticas, enquanto outros países reforçaram orientações de segurança para cidadãos que estão ou pretendem viajar ao território brasileiro
Os Estados Unidos suspenderam, a partir de sexta-feira (2), os serviços consulares presenciais de sua Embaixada em Brasília e dos consulados no país, incluindo a unidade de Porto Alegre. O comunicado oficial citou “preocupações com a segurança”, sem detalhar inicialmente a natureza do risco nem estabelecer prazo para a retomada dos atendimentos. Cidadãos norte-americanos foram orientados a evitar instalações diplomáticas dos EUA e buscar os canais de plantão em situações de emergência.
A Austrália também fechou sua Embaixada em Brasília na sexta-feira (2), citando preocupações com segurança. O governo australiano recomendou ainda que seus cidadãos evitassem a Embaixada, os consulados e outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil e suas áreas próximas.
O alerta australiano menciona que ataques terroristas podem ocorrer em diferentes partes do mundo e recomenda atenção especial em locais públicos, áreas turísticas e ambientes com grandes concentrações de pessoas. Apesar da linguagem adotada no comunicado, isso não significa que tenha sido confirmado um ataque terrorista em preparação no Brasil.
Informações divulgadas posteriormente indicaram que uma ameaça publicada em rede social, envolvendo instalações diplomáticas norte-americanas, esteve entre os elementos analisados pelas autoridades. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar o caso. Até o momento, porém, a corporação informou não ter encontrado elementos que confirmem a existência de um planejamento concreto para atacar as representações diplomáticas.
Em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal reforçou preventivamente o policiamento na região das embaixadas e em outros pontos relacionados à comunidade norte-americana. Segundo a própria corporação, até a atualização divulgada na sexta-feira não havia indicativo ou ação concreta de risco identificada.
Além dos Estados Unidos e da Austrália, países como Reino Unido, Canadá, Alemanha e Irlanda atualizaram ou reforçaram orientações aos seus cidadãos por causa do período eleitoral brasileiro. Entre as recomendações estão evitar manifestações, comícios e grandes aglomerações, acompanhar informações da imprensa local e seguir determinações das autoridades brasileiras.
O governo britânico, por exemplo, informa que manifestações podem ocorrer sem aviso prévio e recomenda que seus cidadãos evitem protestos e eventos políticos caso haja risco de confronto. O alerta britânico foi atualizado especificamente para mencionar o primeiro turno de 4 de outubro e um eventual segundo turno em 25 de outubro.
As medidas adotadas pelas representações diplomáticas ocorrem, portanto, em um cenário de prevenção reforçada às vésperas da votação. Até as informações disponíveis, não havia confirmação pelas autoridades brasileiras de um plano concreto de atentado contra as embaixadas.
A situação permanece sob acompanhamento das forças de segurança e das representações estrangeiras, que podem atualizar suas orientações conforme o cenário evolua.







