O Sindicato dos Funcionários Públicos de Balneário Pinhal promoverá, no dia 9 de setembro de 2026, às 13h30, uma palestra e reunião voltada ao fortalecimento do diálogo entre servidores públicos de carreira e ocupantes de cargos comissionados. O encontro acontecerá no Auditório Marcelo Maresia, com participação considerada imprescindível pela organização.
A atividade será conduzida pela presidente do sindicato, Helena Roos, e terá como principal objetivo desmistificar a relação entre servidores efetivos e comissionados, promovendo um diálogo aberto e construtivo sobre as responsabilidades, dificuldades e limites enfrentados por cada função dentro da administração municipal.
De acordo com Helena, o encontro não foi organizado como um momento de cobrança ou confronto entre os diferentes grupos. A proposta é criar um espaço de debate e construção coletiva, buscando tornar o ambiente de trabalho mais leve, respeitoso e eficiente.
“O momento não é de cobrança de um lado ou do outro. É de debate e construção, para que a gente consiga harmonizar e tornar o ambiente mais leve para prestar serviço à comunidade”, explicou a presidente.
Cobrança profissional e assédio moral
Um dos principais temas da reunião será a diferença entre a cobrança profissional, que faz parte da rotina de gestão, e comportamentos que podem representar humilhação, perseguição, constrangimento ou assédio moral.
A proposta é mostrar que gestores e ocupantes de cargos comissionados podem cobrar resultados, estabelecer metas, acompanhar atividades e solicitar o cumprimento das responsabilidades funcionais. Essas cobranças, no entanto, devem tratar do trabalho realizado, utilizar critérios objetivos e respeitar a dignidade do servidor.
O material preparado para a reunião apresenta como exemplo de cobrança profissional o apontamento de uma entrega abaixo do esperado, acompanhado da busca pelas causas do problema e do alinhamento dos próximos passos. Já falas que atacam diretamente a capacidade ou a personalidade do trabalhador são tratadas como inadequadas.
Também será discutida a necessidade de evitar generalizações, como a ideia de que todo servidor público seria resistente, desinteressado ou pouco produtivo, ou de que todo comissionado utilizaria sua posição apenas para mandar. Segundo a proposta, rótulos impedem o diálogo, enquanto a análise de fatos concretos permite identificar e resolver os problemas.
Conflitos também envolvem comunicação e reconhecimento
Conforme o sindicato, os descontentamentos relatados pelos servidores não estão relacionados exclusivamente às questões salariais. Parte dos conflitos estaria ligada à comunicação interpessoal, à forma como determinadas cobranças são realizadas, à falta de clareza sobre responsabilidades e ao relacionamento entre servidores de carreira e comissionados.
Durante o encontro, os pontos identificados pelo sindicato serão apresentados para debate. Os comissionados também poderão relatar suas experiências, esclarecer dúvidas e apresentar as dificuldades enfrentadas no exercício das funções de liderança.
Helena destacou que o sindicato reconhece que os comissionados que atuam diretamente nos setores também sofrem pressões. Além das cobranças recebidas das chefias por produção e resultados, existe a expectativa dos servidores e da comunidade para que esses profissionais resolvam rapidamente os problemas da administração.
Por isso, a iniciativa pretende compreender os dois lados e construir formas mais adequadas de relacionamento, sem ignorar as obrigações funcionais nem normalizar comportamentos abusivos.
Experiência e mudança podem trabalhar juntas
Outro ponto da palestra será a diferença de perspectiva entre quem possui uma longa trajetória no serviço público e quem assume uma função comissionada com novas prioridades ou propostas de mudança.
Enquanto o servidor de carreira pode contribuir com experiência técnica, memória institucional e conhecimento dos riscos e procedimentos, o comissionado pode apresentar novas ideias, prioridades administrativas e propostas de inovação.
A orientação é que nenhuma dessas contribuições seja desconsiderada. Mudanças devem ser planejadas com conhecimento da legislação, dos processos existentes e da experiência acumulada pelas equipes. Ao mesmo tempo, práticas antigas podem ser revistas quando houver necessidade de melhorar os serviços.
A discordância profissional, segundo o material, não deve ser automaticamente interpretada como insubordinação. Servidores podem apresentar informações técnicas, alertar sobre riscos e sugerir alternativas, desde que façam isso com respeito, fundamento e pelos canais adequados.
Cinco princípios no centro do debate
A palestra também abordará os cinco princípios constitucionais que orientam a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
A legalidade determina que decisões e cobranças devem respeitar a legislação, as competências e os limites de cada função. A impessoalidade exige que tratamentos, avaliações e decisões sejam baseados em critérios objetivos, evitando favoritismos, perseguições ou retaliações.
A moralidade envolve ética, honestidade, boa-fé e respeito ao interesse público. A publicidade está relacionada à transparência das decisões e dos critérios administrativos, observadas as situações legalmente protegidas por sigilo. Já a eficiência busca resultados com planejamento, organização, cooperação, capacitação e melhoria dos processos.
A apresentação também propõe seis medidas práticas para melhorar o funcionamento das equipes: definição clara dos papéis e responsabilidades, metas e prazos objetivos, feedback contínuo e respeitoso, utilização de critérios impessoais, criação de canais adequados para conflitos e denúncias e reconhecimento do trabalho realizado.
Sindicato busca atuar como parte da solução
Helena Roos ressaltou que, embora sindicatos sejam frequentemente vistos como pontos de conflito dentro da relação entre trabalhadores e administração, a intenção da entidade é atuar como uma possibilidade de solução.
O sindicato pretende apresentar o retorno recebido dos servidores e, juntamente com os comissionados, construir um caminho que permita o cumprimento das responsabilidades com mais respeito, confiança e clareza.
A expectativa é reduzir conflitos e mal-entendidos, melhorar a comunicação entre as diferentes funções e fortalecer um ambiente no qual as equipes consigam trabalhar de maneira integrada.
Segundo a proposta do encontro, servidores de carreira e comissionados não precisam pensar da mesma forma em todas as situações. Precisam, porém, trabalhar dentro da legalidade, com profissionalismo e respeito, tendo como objetivo comum a prestação de um serviço público de qualidade à população de Balneário Pinhal.







