A candidata a deputada estadual Duda Peres, do Podemos, afirmou, durante entrevista ao Hora Política, que a fiscalização e o encaminhamento de denúncias aos órgãos de controle estão entre os principais pilares de sua trajetória política em Viamão.

Entre os episódios mencionados, Duda destacou a Operação Engrenagem Oculta, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em 9 de julho de 2026. A investigação apura suspeitas de corrupção, fraude em contrato público, organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo a manutenção da frota municipal.

Durante a entrevista, a candidata mencionou aproximadamente R$ 44 milhões. Conforme os dados oficiais do Ministério Público, o contrato investigado foi firmado em 2023 e já havia recebido cerca de R$ 43,1 milhões dos cofres de Viamão.

A operação teve 54 alvos e resultou no cumprimento de mandados no Rio Grande do Sul e no Paraná. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de cinco agentes públicos, o sequestro de 52 veículos e a indisponibilidade de outros 103 veículos e 39 imóveis.

Segundo o MPRS, os elementos reunidos apontam direcionamento de veículos para oficinas específicas, manipulação de orçamentos, superfaturamento e cobrança por serviços desnecessários ou que não teriam sido executados.

Duda classificou a Operação Engrenagem Oculta como uma das denúncias de maior repercussão relacionadas à sua atuação. As responsabilidades individuais, no entanto, permanecem sujeitas às investigações e ao devido processo legal.

Caso de professor condenado

Outro episódio citado foi o de um professor de Educação Física da Escola Municipal Farroupilha, condenado pelo abuso sexual de uma aluna.

Em março de 2024, o Ministério Público informou que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul havia condenado o professor após recurso apresentado pelo próprio MPRS.

Na entrevista, Duda afirmou que voltou a dar visibilidade ao caso quando o condenado estaria foragido. Segundo a candidata, após as cobranças públicas e a repercussão do assunto em uma emissora de televisão, ocorreu a prisão.

“Depois que denunciamos e fomos a uma emissora de televisão, dias depois o criminoso foi preso”, declarou.

Áudio atribuído ao prefeito é investigado

Duda também falou sobre um áudio atribuído ao prefeito Rafael Bortoletti. Segundo a denúncia apresentada por ela, a gravação teria conteúdo relacionado a um pedido de recursos para a campanha eleitoral de Michele Galvão.

A Câmara de Vereadores de Viamão instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o caso. Conforme informações divulgadas pelo Legislativo, a CPI investiga a origem e o conteúdo do suposto áudio e já realizou oitivas relacionadas à denúncia.

Duda afirmou que o material complementou uma denúncia anteriormente encaminhada ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Por estar sob sigilo, ela evitou apresentar detalhes sobre o procedimento.

Rafael Bortoletti negou a autenticidade da gravação e declarou publicamente que o conteúdo teria sido produzido com inteligência artificial.

Durante a entrevista, Duda contestou essa versão. Ela explicou que o arquivo divulgado era um recorte de uma gravação maior e argumentou que a redução do áudio poderia ser identificada tecnicamente como uma alteração no arquivo, sem que isso comprovasse necessariamente a geração artificial da voz.

Até o momento, não foi apresentada publicamente uma conclusão pericial oficial e definitiva que confirme a autenticidade da gravação ou estabeleça que ela tenha sido produzida por inteligência artificial.

“Jamais colocaria em xeque a credibilidade que estou construindo. O tempo dirá sobre isso”, afirmou Duda.

Combate ao uso político da estrutura pública

Ao final da entrevista, a candidata defendeu uma atuação mais próxima dos órgãos de fiscalização e criticou o possível uso da estrutura pública para obtenção de vantagens eleitorais.

Para Duda, o reconhecimento político deve ser consequência dos serviços prestados à população, e não da utilização da prefeitura ou de outros órgãos públicos para promover projetos eleitorais.

“Não é errado trabalhar e ter o retorno do voto porque se mostrou serviço. O que é errado é utilizar a estrutura do poder público para crescer politicamente enquanto as pessoas estão morrendo na fila do hospital e não têm acesso a ruas, iluminação e escolas de qualidade”, declarou.

Duda Peres concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pelo Podemos, com o número 20009.

As declarações apresentadas durante a entrevista são de responsabilidade da candidata. O espaço permanece aberto para manifestações das pessoas mencionadas.