A primavera começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, marcando o fim do inverno no Hemisfério Sul. A mudança de estação ocorrerá exatamente às 21h05, pelo horário de Brasília, momento em que acontece o equinócio de setembro.

A nova estação seguirá até 21 de dezembro, às 18h50, quando terá início o verão. Os horários são confirmados pelo Observatório Nacional e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No Rio Grande do Sul, a chegada da primavera acontece logo depois de um período marcado por forte instabilidade atmosférica e temporais que provocaram estragos em diferentes municípios. E, apesar da associação popular da estação com flores, dias agradáveis e temperaturas mais altas, a primavera também é tradicionalmente um período de grande variação do tempo no Sul do Brasil.

O que acontece exatamente às 21h05?

O início da primavera é determinado por um fenômeno astronômico chamado equinócio.

Ele acontece quando a posição da Terra em relação ao Sol faz com que os dois hemisférios recebam iluminação de maneira aproximadamente equilibrada.

A partir desse período, no Hemisfério Sul, os dias passam gradualmente a ficar mais longos e as noites mais curtas, até a chegada do verão.

Segundo o Observatório Nacional, as estações do ano existem principalmente por causa da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol.

Primavera não significa apenas tempo quente

Apesar de a estação marcar uma tendência gradual de aumento das temperaturas, isso não significa o fim imediato do frio.

No Rio Grande do Sul, massas de ar frio ainda podem avançar pelo Estado durante a primavera, provocando quedas bruscas de temperatura, especialmente entre setembro e outubro.

Ao mesmo tempo, o aquecimento mais intenso durante o dia aumenta o contraste entre massas de ar quente e a chegada de frentes frias.

Essa combinação cria condições favoráveis para a formação de tempestades.

O Inmet destaca que, durante a primavera, a Região Sul pode registrar episódios de Complexos Convectivos de Mesoescala, sistemas de tempestades associados a chuva intensa, rajadas de vento, grande quantidade de raios e eventual ocorrência de granizo.

Rio Grande do Sul pode ter primavera mais chuvosa

O prognóstico climático oficial para outubro, novembro e dezembro indica condições favoráveis a chuvas acima da média em toda a Região Sul.

Os maiores excessos são projetados justamente para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os acumulados durante o trimestre podem ficar em alguns locais até 200 milímetros acima da média histórica.

Isso não significa que choverá constantemente ou que todas as cidades terão volumes 200 milímetros superiores ao normal.

A previsão climática aponta uma tendência para o conjunto dos próximos meses, e a distribuição da chuva pode variar bastante entre uma região e outra.

Temporais seguem sendo ponto de atenção

Para o Litoral Norte gaúcho, a primavera é uma estação que exige atenção especial às mudanças rápidas do tempo.

O encontro entre ar quente e úmido e novas frentes frias pode gerar episódios de instabilidade com:

chuva forte em curto período;

descargas elétricas;

rajadas intensas de vento;

queda de granizo;

alagamentos;

queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

O próprio Inmet destaca que o aumento gradual das temperaturas pode favorecer a rápida formação de tempestades severas quando há contraste com a passagem de frentes frias.

Por isso, mesmo com períodos de sol e temperaturas agradáveis, mudanças significativas podem ocorrer de um dia para outro.

E as temperaturas no Rio Grande do Sul?

Para o trimestre de outubro a dezembro, os modelos utilizados pelo Inmet, INPE e Funceme indicam que as temperaturas do Rio Grande do Sul tendem, de maneira geral, a permanecer próximas da média histórica.

No extremo Sul do Estado, algumas áreas podem registrar médias ligeiramente abaixo do normal, com anomalias negativas de até aproximadamente 0,5°C.

Em outras áreas da Região Sul, especialmente no Paraná, a tendência é de temperaturas acima da média.

Mesmo assim, a tendência natural da estação é de aquecimento progressivo à medida que dezembro se aproxima.

El Niño deve influenciar a estação

Outro fator importante para a primavera de 2026 é o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial.

A nota técnica conjunta do Inmet e do INPE aponta que as águas superficiais do Pacífico apresentam desde março características compatíveis com El Niño.

Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, o documento cita uma probabilidade muito elevada de persistência de condições de El Niño de forte intensidade.

Historicamente, episódios de El Niño podem favorecer maior disponibilidade de umidade e maior frequência de chuva no Sul do Brasil, embora cada evento apresente características próprias e não seja possível atribuir isoladamente cada temporal ao fenômeno.

Primavera também transforma a natureza

A estação é conhecida pela intensificação da floração de diversas espécies e pelo crescimento da vegetação.

O aumento progressivo da duração dos dias e das temperaturas interfere no ciclo de plantas e animais.

Também é um período importante para a agricultura. No Sul do país, o trimestre coincide com etapas decisivas do plantio das culturas de verão.

Segundo o prognóstico agroclimático oficial, a expectativa de maior disponibilidade de água pode favorecer culturas e pastagens no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Por outro lado, chuva frequente ou excessiva pode dificultar o acesso de máquinas às lavouras e prejudicar áreas com drenagem deficiente.

Dias começam a ficar mais longos

A partir da primavera, o período diário de iluminação solar cresce gradualmente no Hemisfério Sul.

Essa mudança seguirá até dezembro, quando ocorrerá o solstício de verão e teremos os dias mais longos do ano.

Depois disso, o processo começa lentamente a se inverter novamente.

Nova estação vai até dezembro

A primavera de 2026 começa oficialmente às 21h05 desta terça-feira, 22 de setembro, e seguirá por quase três meses.

O verão começará no Brasil em 21 de dezembro, às 18h50.

Para o Rio Grande do Sul e especialmente o Litoral Norte, a nova estação deve trazer uma combinação conhecida dos gaúchos: dias cada vez mais quentes, períodos agradáveis de sol, entrada ocasional de ar frio e episódios de instabilidade que podem evoluir rapidamente para temporais.

Com a perspectiva de chuva acima da média para os próximos meses, acompanhar previsões de curto prazo e alertas da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos continuará sendo fundamental durante toda a primavera.