Mulheres em situação de violência, mães atípicas e familiares que enfrentam diariamente a responsabilidade de cuidar de pessoas com deficiência ou condições específicas de saúde passaram a contar com uma nova alternativa de atendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço Acolhe Mais + oferece consultas de saúde mental realizadas totalmente on-line e está disponível para mulheres de todo o Brasil.
A iniciativa vem sendo divulgada também em Balneário Pinhal como uma importante ferramenta para facilitar o acesso à saúde mental, especialmente para mulheres que muitas vezes encontram dificuldades para procurar atendimento presencial por falta de tempo, problemas de deslocamento ou pela necessidade permanente de permanecer próximas das pessoas sob seus cuidados.
Criado pelo Ministério da Saúde e disponibilizado nacionalmente em agosto, o Acolhe Mais + tem capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos por mês. O serviço atende mulheres que vivem ou já viveram alguma forma de violência, além de mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Atendimento é realizado por psicólogas
As consultas são feitas remotamente por profissionais de psicologia capacitadas para realizar escuta sensível, identificar possíveis situações de risco e orientar as pacientes sobre a continuidade do atendimento.
De acordo com o Ministério da Saúde, a rede de profissionais é formada por psicólogas mulheres, buscando proporcionar maior segurança e conforto especialmente às pacientes que enfrentam ou enfrentaram situações de violência.
Cada usuária poderá realizar até dez sessões durante um ciclo de acompanhamento. Se houver necessidade, um novo ciclo poderá ser iniciado. Após o atendimento, a paciente também poderá ser encaminhada para continuidade do cuidado em serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outros equipamentos da rede pública de saúde.
Como solicitar o atendimento
O processo é realizado pelo Meu SUS Digital.
A usuária deve acessar o aplicativo ou plataforma utilizando sua conta Gov.br e selecionar a opção “Miniapps”. Em seguida, deve procurar por “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
Após selecionar o serviço, a paciente será direcionada à plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde deverá preencher um cadastro e informar se procura atendimento por estar vivendo ou ter vivido uma situação de violência ou por exercer atividade de cuidado de outra pessoa.
Depois do cadastro, a equipe deverá entrar em contato em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta. Antes do atendimento são enviados lembretes e, no dia agendado, o link para realização da teleconsulta.
Passo a passo
- Acesse o Meu SUS Digital utilizando a conta Gov.br;
- Entre na opção Miniapps;
- Selecione Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres;
- Preencha o cadastro solicitado;
- Aguarde o contato da equipe para escolher o dia e horário do atendimento.
Não é necessário encaminhamento médico prévio para solicitar o serviço.
Horários de atendimento
Segundo o Ministério da Saúde, os teleatendimentos estão disponíveis de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
O Acolhe Mais + começou em março de 2026 como um projeto-piloto destinado a mulheres em situação de violência nas cidades do Rio de Janeiro e Recife. Com a ampliação realizada em agosto, o programa passou a atender mulheres de todos os estados brasileiros e incorporou também mães atípicas e outras familiares cuidadoras.
Cuidado para quem dedica a rotina aos outros
A criação do serviço busca enfrentar uma dificuldade comum entre mulheres cuidadoras: apesar de concentrarem grande parte de sua rotina no acompanhamento e atendimento das necessidades de filhos ou familiares, muitas vezes encontram obstáculos para cuidar da própria saúde.
Segundo dados citados pelo Ministério da Saúde a partir da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aproximadamente 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres. Distância, falta de tempo e dificuldades de deslocamento estão entre as barreiras consideradas na implantação do atendimento remoto.
No caso das mulheres em situação de violência, o primeiro atendimento também permite avaliar possíveis riscos, a existência de uma rede de apoio e as principais necessidades da paciente. Situações mais graves podem ser encaminhadas aos serviços públicos disponíveis no território.
Quando houver risco imediato à vida ou à integridade da mulher, porém, o teleatendimento não substitui os serviços de emergência. Nesses casos, a orientação do Ministério da Saúde é procurar imediatamente os canais adequados, como a Polícia Militar pelo 190 ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A ampliação do Acolhe Mais + cria, portanto, uma nova porta de entrada para a saúde mental dentro do SUS, permitindo que mulheres em situação de vulnerabilidade ou sobrecarga encontrem acolhimento profissional sem precisar sair de casa.







