A candidata a deputada federal pelo Solidariedade no Rio Grande do Sul, Aiesa Carolina, apresentou a defesa de políticas públicas voltadas às mães solo como uma das principais bandeiras de sua campanha. O assunto foi abordado durante entrevista concedida ao programa Hora Política, apresentado pelo jornalista William Serra.

Ao falar sobre o que pretende trazer de novo para o debate eleitoral, Aiesa afirmou que a falta de uma rede de apoio ainda representa um dos principais obstáculos para a autonomia profissional e financeira das mulheres que criam seus filhos sozinhas.

Segundo a candidata, mesmo quando uma mãe recebe uma oportunidade de emprego, qualificação ou desenvolvimento de um negócio, sua primeira preocupação costuma ser encontrar um local seguro onde possa deixar os filhos.

“Ela pode ganhar uma vaga no Banco do Brasil para ser gerente. Se não tiver quem fique com os filhos, não vai poder trabalhar”, exemplificou.

Entre as propostas defendidas por Aiesa estão a ampliação das vagas em creches, a garantia de turno integral nas escolas e a criação de programas específicos de geração de emprego e renda para mulheres chefes de família.

A candidata também defendeu medidas de incentivo ao empreendedorismo feminino, especialmente para mães que não possuem uma rede familiar de apoio. Na avaliação dela, oferecer segurança e atendimento adequado aos filhos é uma condição fundamental para que essas mulheres possam trabalhar e conquistar independência financeira.

Durante a entrevista, Aiesa contou que sua ligação com o tema também vem de sua experiência pessoal. Ela afirmou ser mãe solo e mãe de uma mulher que igualmente cria os filhos sozinha, além de destacar que várias integrantes de sua equipe vivem essa mesma realidade.

Mães solo representam parcela expressiva da população

Levantamento divulgado pela Fundação Getulio Vargas mostra que o número de domicílios brasileiros chefiados por mães solo passou de 9,6 milhões, em 2012, para aproximadamente 11,3 milhões em 2022. O crescimento foi de 17,8% no período.

Aiesa afirmou durante a entrevista que 57% das mães solo vivem em extrema pobreza. O percentual de 57% frequentemente citado em estudos e reportagens sobre o tema, contudo, está relacionado à condição de pobreza entre mulheres que criam seus filhos sozinhas, e não necessariamente à extrema pobreza, que possui critérios de renda diferentes.

A candidata também relacionou a dependência financeira à dificuldade enfrentada por algumas mulheres para romper relacionamentos abusivos. Para ela, a responsabilidade exclusiva pelos filhos e a falta de apoio do poder público podem contribuir para a permanência em situações de violência doméstica.

“Por causa dos filhos e dessa dependência, ela acaba se submetendo, muitas vezes, a viver em situação de violência”, declarou.

Ao colocar o tema no centro de sua campanha, Aiesa busca ampliar o debate sobre a responsabilidade do poder público na oferta de creches, educação integral, proteção social e oportunidades de trabalho. As medidas, segundo ela, poderiam ajudar mães solo a superar situações de vulnerabilidade e conquistar maior autonomia.

A entrevista completa e outros trechos da conversa com Aiesa Carolina podem ser acompanhados nos canais do Hora Política.