O cantor e tradicionalista César Oliveira, candidato a deputado estadual pelo PSD nas eleições de 2026, fez uma reflexão sobre política, cultura e identidade durante entrevista concedida ao repórter William Serra, no programa Hora Política Litoral Norte.

Em um dos trechos da conversa, César afirmou enxergar com preocupação o atual cenário político brasileiro e relacionou parte dos problemas do país ao que considera uma perda de referências culturais, educacionais e de pertencimento.

“Eu acho que o Brasil está sem raiz”, afirmou o tradicionalista ao defender que a cultura não deve ser vista apenas como manifestação artística, mas também como elemento presente na formação das pessoas e na própria maneira como uma sociedade participa da política.

Segundo César, o Rio Grande do Sul preserva características que, na avaliação dele, estão diretamente relacionadas à identidade construída ao longo de sua história. O candidato citou tradição, família, costumes e sentimento de pertencimento entre os valores que considera importantes na formação gaúcha.

Durante a entrevista, ele também criticou a forma como parte das disputas políticas ocorre atualmente. Na avaliação de César, muitas vezes há mais esforço para desqualificar adversários ou impedir o crescimento de outras pessoas do que para reconhecer capacidades.

“Parece que tu gasta mais energia incapacitando as pessoas”, declarou. Para ele, a política deveria abrir espaço para pessoas capazes e permitir que qualidades fossem reconhecidas mesmo quando existem diferenças políticas ou ideológicas.

“Independente da bandeira, eram respeitados”

Outro ponto destacado pelo tradicionalista foi a relação com figuras históricas da política brasileira. César afirmou considerar que o país já viveu períodos em que lideranças de campos políticos diferentes conseguiam conquistar respeito para além das próprias bases.

Na visão apresentada por ele, essa capacidade de reconhecer adversários teria diminuído com a polarização e com a deterioração das relações políticas.

César também mencionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e as disputas políticas nacionais ao desenvolver sua avaliação sobre o momento vivido pelo Brasil. As referências foram apresentadas como parte de sua opinião sobre o cenário político e sobre aquilo que considera uma perda de referências culturais e educacionais no país.

Rio Grande do Sul e pertencimento

Grande parte da reflexão de César Oliveira passou pela relação do gaúcho com o Rio Grande do Sul.

O cantor afirmou possuir aquilo que chamou de uma “pátria cultural”, relacionando a expressão à forte identificação que mantém com o Estado. Ao mesmo tempo, ressaltou que o Rio Grande do Sul faz parte do Brasil e defendeu a importância dessa integração.

Ao abordar a história gaúcha, César lembrou o período farroupilha e declarou que os gaúchos seriam “brasileiros por opção”. A manifestação faz referência à experiência separatista ocorrida durante a Revolução Farroupilha.

Historicamente, parte das lideranças farroupilhas proclamou a República Rio-Grandense em 1836, embora a causa separatista não fosse unanimidade entre os próprios revoltosos. O conflito terminou em 1845, após negociações com o Império, com a reincorporação da província ao Brasil.

Cultura também como política

César Oliveira também relacionou sua trajetória no tradicionalismo ao modo como enxerga a política.

Para ele, preservar a identidade de uma comunidade significa saber de onde se vem e manter uma ligação com as próprias origens. Durante a conversa, citou Getúlio Vargas ao falar sobre lideranças que, em sua avaliação, mantinham vínculos fortes com suas regiões de origem mesmo quando alcançavam projeção nacional.

“Os grandes estadistas, o importante deles é sempre dizer de onde são, quem são”, afirmou.

O tradicionalista argumentou ainda que a identidade gaúcha ultrapassa as fronteiras do Estado. Citou o futebol e a presença de gaúchos ligados ao agronegócio em diferentes regiões brasileiras como exemplos dessa projeção cultural e econômica.

Para César, essa identidade regional não deveria representar afastamento do restante do país. Ao contrário, afirmou que o Rio Grande do Sul possui participação importante na formação brasileira e que sua defesa das tradições gaúchas está inserida em uma preocupação mais ampla com o Brasil.

“O Brasil perdeu essas características”

Na conclusão do raciocínio, César voltou ao ponto que conduziu boa parte da entrevista: a percepção de que o país estaria perdendo suas referências.

Na avaliação apresentada pelo candidato, períodos anteriores da história brasileira também tiveram conflitos, problemas políticos e momentos autoritários, mas ainda apresentariam características e identidades mais reconhecíveis.

“O Brasil perdeu essas características”, resumiu.

A declaração sintetiza uma das ideias apresentadas por César Oliveira ao Hora Política Litoral Norte: a de que cultura, identidade e pertencimento não estão separados da política e de que recuperar esses elementos faria parte, em sua visão, da construção de uma sociedade com maior capacidade de diálogo e respeito entre pessoas que pensam de maneiras diferentes.