O deputado federal Danrlei de Deus Hinterholz, do PSD do Rio Grande do Sul, fez uma análise do atual momento político brasileiro durante entrevista ao podcast Hora Política, apresentado pelo jornalista William Serra.

A poucos dias das Eleições de 2026, Danrlei afirmou acreditar que o país atravessa um momento que exige “calma” e “tranquilidade”, mas também maior atenção dos brasileiros na hora de definir seus representantes.

Segundo o parlamentar, mesmo quem já ocupa um cargo público também enfrenta dúvidas no momento de escolher seus candidatos.

“Eu também quero acertar no meu voto”, afirmou.

Críticas ao STF

Um dos principais pontos da entrevista foi a avaliação de Danrlei sobre o Supremo Tribunal Federal.

O deputado afirmou sentir insegurança diante do atual cenário envolvendo a Corte e argumentou que, na sua avaliação, o Supremo deveria representar uma das principais fontes de segurança institucional do país.

“Quem deveria nos dar a maior segurança possível para o país é o que está nos trazendo uma insegurança que a gente nunca imaginou que pudéssemos passar, que é o STF”, declarou.

A afirmação representa a avaliação política de Danrlei sobre a atuação do Supremo.

O parlamentar também estabeleceu uma diferença entre os integrantes dos poderes escolhidos por voto e os ministros do STF.

Danrlei lembrou que deputados, senadores, governadores, prefeitos e presidentes precisam periodicamente enfrentar as urnas, enquanto os integrantes do Supremo não são escolhidos diretamente pela população.

Pela Constituição Federal, o STF é composto por onze ministros. Os integrantes são indicados pelo presidente da República e precisam ter seus nomes aprovados pela maioria absoluta do Senado Federal.

Danrlei defende mudanças no modelo

Durante a entrevista, o deputado manifestou apoio à discussão de mudanças na forma como os ministros chegam ao Supremo.

“Infelizmente o STF não tem voto ainda”, disse.

Danrlei afirmou que gostaria de ver, no futuro, um sistema no qual a chegada ao Supremo tivesse maior participação institucional do Judiciário ou critérios relacionados ao mérito profissional, em vez de depender, segundo sua avaliação, de uma escolha pessoal.

Qualquer mudança no atual sistema de escolha dos ministros, entretanto, exigiria alteração constitucional. Hoje, a Constituição determina que a nomeação seja feita pelo presidente da República após aprovação do Senado.

“Cada voto é importante”

Apesar das críticas ao cenário institucional, Danrlei dedicou parte importante da entrevista a defender a participação do eleitor.

Para ele, o principal momento em que a população possui poder direto de transformação política acontece dentro da cabine de votação.

“Ah, mas o meu voto só vale um. O de todos vale um. O meu também só vale um. De todas as pessoas só vale um. E todos eles são importantes para a nossa sociedade”, afirmou.

O deputado disse acreditar que escolher pessoas nas quais o eleitor confia e cujo trabalho conhece é uma das formas de iniciar mudanças na política brasileira.

“Cada voto é importante hoje no nosso país”, reforçou.

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 acontece no dia 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Brasil ainda estaria em processo de amadurecimento

Danrlei também afirmou enxergar o Brasil como uma nação relativamente jovem quando comparada a países com histórias institucionais muito mais longas.

Na avaliação do parlamentar, o país ainda passa por um processo de aprendizado, construção e amadurecimento.

“Nós ainda estamos aprendendo e nos moldando como país. Então nós temos que ter essa calma”, afirmou.

Para Danrlei, o cidadão precisa compreender o tamanho da sua participação nesse processo e reconhecer a importância das escolhas feitas nas eleições.

Papel do congresso e dos municípios

Questionado sobre o que pode ser feito a partir da Câmara dos Deputados, Danrlei reconheceu que determinadas mudanças possuem uma complexidade que ultrapassa a atuação individual de um parlamentar.

Ele afirmou, porém, que pretende participar das discussões caso propostas de mudanças institucionais sejam submetidas ao Congresso.

“Dentro do que a gente pode, a gente tenta fazer”, declarou.

Danrlei afirmou ainda que, caso propostas que considere positivas para o país sejam colocadas em votação, pretende participar dessas decisões no Parlamento.

Ao final, o deputado voltou sua atenção para os municípios.

“Porque, no final, a gente precisa trabalhar no local onde as coisas acontecem, que é no município”, afirmou.

A declaração reforçou outro ponto defendido pelo parlamentar durante a conversa: embora grandes decisões institucionais ocorram em Brasília, é nas cidades que boa parte das políticas públicas chega diretamente à vida da população.